O Palácio do Congresso Nacional em Brasília abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal desde sua inauguração, em abril de 1960, marcando a primeira vez em que as duas Casas compartilham uma mesma sede projetada para esse fim. Marco arquitetônico, o edifício e suas cúpulas se tornaram ícones do Poder Legislativo, símbolos indissociáveis dessas instituições. Mas Brasília é um capítulo recente dessa história que está prestes a completar seu bicentenário.
Esta exposição relembra as diversas sedes que a Câmara dos Deputados ocupou desde o início de seu funcionamento, em 1826, ainda no Império. É uma trajetória que percorre diferentes espaços, temporários ou planejados, que foram palco de importantes momentos da política e que ajudam a contar um pouco da nossa história. Monumentos de suas épocas, essas sedes e seus objetos materializam as transformações ocorridas no campo das artes, da tecnologia e da vida nacional.
Marcelo Sá de Sousa
Chefe do Museu da Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados teve sua primeira sede no edifício da Cadeia Velha, que reunia a Câmara e a Cadeia do Rio de Janeiro. As edificações com esse nome guardavam a administração das cidades coloniais, abrigando o juiz, o procurador e os vereadores, intitulados oficiais da Câmara.
O primeiro edifício da Cadeia do Rio de Janeiro se localizava no Morro do Castelo, um dos locais iniciais da ocupação da cidade do Rio de Janeiro. Com seu gradativo mau estado de conservação e o desenvolvimento da cidade em outra direção, foi construído um novo edifício, a que hoje nos referimos como Cadeia Velha, na região baixa da cidade
Construída no século XVII, com formas simples, a edificação esteve no centro de relevantes episódios da nossa história e passou por diferentes usos e intervenções. Foi lá que Tiradentes e os inconfidentes foram mantidos presos até o julgamento, que resultou em seu martírio, em 1792.
Após a Independência do Brasil, o edifício foi local da primeira Assembleia Constituinte, dissolvida à força em 1823 pelo imperador Dom Pedro I. O monarca encarregou, então, seu Conselho de Estado da redação do texto constitucional, por ele outorgado em 1824. Após dois anos, a Cadeia Velha abrigou o primeiro Congresso Legislativo do Brasil, passando a Câmara a funcionar em seus espaços até 1914, com algumas interrupções. O edifício foi demolido em 1923.
Com a queda do Império e o advento da República, o Brasil veria o surgimento de uma nova Constituição, por meio da instalação do Congresso Constituinte da República. O local não poderia ser mais simbólico: a antiga residência imperial, o Palácio de São Cristóvão, na área da Quinta da Boa Vista.
A localidade tinha uma rica história: fora parte de uma fazenda dos jesuítas e posteriormente, com a expulsão deles, tornou-se propriedade de um comerciante português que lá erigiu um casarão, em 1803. Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, a residência foi cedida para Dom João VI. O casarão passou por sucessivas transformações até consolidar o aspecto neoclássico que lhe é característico.
A Câmara lá funcionou apenas durante os trabalhos do Congresso Constituinte. Promulgada a Constituição, o órgão retomou suas atividades na Cadeia Velha, de onde se ausentou em definitivo em 1914.
A partir de 1892, o Palácio de São Cristóvão passou a abrigar o Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em setembro de 2018, um incêndio danificou severamente o edifício, que passa por restauração desde então.
Com a queda do Império e o advento da República, o Brasil veria o surgimento de uma nova Constituição, por meio da instalação do Congresso Constituinte da República. O local não poderia ser mais simbólico: a antiga residência imperial, o Palácio de São Cristóvão, na área da Quinta da Boa Vista.
A localidade tinha uma rica história: fora parte de uma fazenda dos jesuítas e posteriormente, com a expulsão deles, tornou-se propriedade de um comerciante português que lá erigiu um casarão, em 1803. Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, a residência foi cedida para Dom João VI. O casarão passou por sucessivas transformações até consolidar o aspecto neoclássico que lhe é característico.
Foto: Marc Ferrez, 1884c./ Acervo Instituto Moreira Salles
A Câmara lá funcionou apenas durante os trabalhos do Congresso Constituinte. Promulgada a Constituição, o órgão retomou suas atividades na Cadeia Velha, de onde se ausentou em definitivo em 1914.
A partir de 1892, o Palácio de São Cristóvão passou a abrigar o Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em setembro de 2018, um incêndio danificou severamente o edifício, que passa por restauração desde então.
Em 1904, o Brasil participou da Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos, com um pavilhão de estilo eclético, premiado com a medalha de ouro. Após o evento, o edifício foi remontado no Passeio Público, no Rio de Janeiro, e inaugurado em 1906 como “Palácio Monroe”, em referência à doutrina de James Monroe sobre a autonomia das nações americanas. A Câmara dos Deputados ocupou o local de 1914 a 1922, quando o Palácio foi requisitado para a Exposição do Centenário da Independência. Considerado um marco arquitetônico da Belle Époque, o Palácio Monroe foi demolido em 1976, após polêmica envolvendo o governo, a imprensa, o IPHAN e a construção do metrô.
O prédio da Biblioteca Nacional, uma construção eclética de forte inspiração neoclássica, foi inaugurado em 1910 para acondicionar de forma permanente a Biblioteca Real vinda para o Brasil com a comitiva da Corte Portuguesa, em 1808, e para ser a principal biblioteca do país.
A Câmara dos Deputados funcionou provisoriamente no edifício da Biblioteca entre 1922 e 1926, enquanto a instituição aguardava a construção de sua sede definitiva, o Palácio Tiradentes. Para isso, algumas adaptações foram necessárias: o Salão de Leitura, hoje Seção de Obras Raras, foi transformado em plenário e a área de exposição de preciosidades, que circundava o local, foi convertida em galerias de onde o público poderia assistir às sessões.
O prédio da Biblioteca Nacional, uma construção eclética de forte inspiração neoclássica, foi inaugurado em 1910 para acondicionar de forma permanente a Biblioteca Real vinda para o Brasil com a comitiva da Corte Portuguesa, em 1808, e para ser a principal biblioteca do país.
A Câmara dos Deputados funcionou provisoriamente no edifício da Biblioteca entre 1922 e 1926, enquanto a instituição aguardava a construção de sua sede definitiva, o Palácio Tiradentes. Para isso, algumas adaptações foram necessárias: o Salão de Leitura, hoje Seção de Obras Raras, foi transformado em plenário e a área de exposição de preciosidades, que circundava o local, foi convertida em galerias de onde o público poderia assistir às sessões.
Inaugurado em 1926, o Palácio Tiradentes atendeu ao desejo da Câmara dos Deputados de ter uma sede própria, após décadas de ocupação de edifícios adaptados. Em 1907, ambas as casas legislativas haviam aprovado a construção de um edifício comum, mas divergências sobre a localização do projeto impediram sua realização.
O Palácio foi projetado por Archimedes Memória e Francisco Couchet, e sua construção começou em 1922, no terreno da antiga Cadeia Velha, onde Tiradentes foi preso. Seu nome e a presença de uma escultura do herói nacional ressaltam sua importância histórica.
O edifício, com estilo eclético, emprega avanços técnicos inovadores e é adornado com vitrais e pinturas. A fachada contém esculturas que alegorizam valores como ordem, progresso, soberania e saber, além de períodos como Independência e República. Os Estados da federação contribuíram financeiramente e com matérias-primas, móveis (confeccionados em madeiras nobres como jacarandá, imbuia e pau-brasil) e objetos decorativos.
Após a transferência da capital para Brasília, o Palácio sediou a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (1960—1963) e, mais tarde, uma representação da Câmara dos Deputados. Atualmente, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ocupa o prédio, que é tombado pelo IPHAN.
Inaugurado em 1926, o Palácio Tiradentes atendeu ao desejo da Câmara dos Deputados de ter uma sede própria, após décadas de ocupação de edifícios adaptados. Em 1907, ambas as casas legislativas haviam aprovado a construção de um edifício comum, mas divergências sobre a localização do projeto impediram sua realização.
O Palácio foi projetado por Archimedes Memória e Francisco Couchet, e sua construção começou em 1922, no terreno da antiga Cadeia Velha, onde Tiradentes foi preso. Seu nome e a presença de uma escultura do herói nacional ressaltam sua importância histórica.
O edifício, com estilo eclético, emprega avanços técnicos inovadores e é adornado com vitrais e pinturas. A fachada contém esculturas que alegorizam valores como ordem, progresso, soberania e saber, além de períodos como Independência e República. Os Estados da federação contribuíram financeiramente e com matérias-primas, móveis (confeccionados em madeiras nobres como jacarandá, imbuia e pau-brasil) e objetos decorativos.
Após a transferência da capital para Brasília, o Palácio sediou a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (1960—1963) e, mais tarde, uma representação da Câmara dos Deputados. Atualmente, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ocupa o prédio, que é tombado pelo IPHAN.
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Mesa Diretora da Câmara dos Deputados | Presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) | 1º Vice-Presidente Altineu Côrtes (PL-RJ) | 2º Vice-Presidente Elmar Nascimento (União-BA) | 1º Secretário Carlos Veras (PT-PE) | 2º Secretário Lula da Fonte (PP-PE) | 3ª Secretária Delegada Katarina (PSD-SE) | 4º Secretário Sergio Souza (MDB-PR) | Suplentes Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), Paulo Folletto (PSB-ES), Dr. Victor Linhalis (Podemos-ES), Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP)
Secretaria de Comunicação Social, Centro Cultural Câmara dos Deputados | Secretário de Comunicação Social Marx Beltrão (PP-AL) | Secretário de Participação, Interação e Mídias Digitais Guilherme Uchoa Júnior (PSB-PE) | Diretoria Executiva de Comunicação e Mídias Digitais Cláudio Araújo | Coordenação de Cerimonial, Eventos e Cultura Frederico Fonseca de Almeida | Supervisão do Centro Cultural Clauder L. Diniz | Coordenação do Projeto Maíra Brito | Curadoria e Produção Museu Câmara dos Deputados | Revisão Maria Amélia Elói | Design Gráfico e expografia Clara Iwanow e Luísa Malheiros | Estagiários Andreza Souza, Lauane da Silva Sousa e Ronald Silva | Pintura DETEC/COENG | Plotagem Dcolar Gráfica | Montagem e Manutenção da Exposição André Ventorim, Maurilio Magno, Paulo Titula, Wendel Fontenele | Material Gráfico Coordenação de Serviços Gráficos – CGRAF/DEAPA | Hotsite Thiago Fagundes, Rafael Teodoro
Agradecimentos Adenilson Feitosa, Adilson Valverde, Alexandre Gomes, Antonio Cícero, Arquivo da Câmara dos Deputados, Biblioteca Pedro Aleixo, Cristiano Silvino, Ederui de Carvalho, Francisco Portela, José Antônio, José Wilton, Macio Rodrigues, Mário Sérgio, Nataniel José, Raimundo dos Santos
Informações: 0800 0 619 619 | cultural@camara.leg.br
Centro Cultural Câmara dos Deputados
Palácio do Congresso Nacional | Câmara dos Deputados | Anexo I – Sala 1601 | CEP 70160-900 – Brasília/DF
www.camara.leg.br/centrocultural
Brasília, agosto de 2025.
